Para ela, mudar-se não era um grande sacrifício. Não tinha namorado, nem seu coração estava preso a algum homem. Os amigos, via esporadicamente. Com a família, não tinha uma relação de apego. Seus finais de semana eram quase sempre em companhia dela mesma, de livros e revistas, da TV, filmes e do computador. Essas companhias poderiam ir com ela para onde fosse. A solidão que a habitava não parecia ter sentido. Não mais vinha vê-la em períodos espaçados, como durante a TPM, mas lhe fazia companhia todos os dias. Num jantar com amigos, no bar, rodeada por colegas, na faculdade, com a sala repleta de alunos, em casa, junto com seus familiares. Havia tentando falar sobre isso. Não tivera êxito. Ou porque as pessoas estavam lá ocupadas, tentando viver suas vidas – nada mais justo -, cuidando de seus próprios problemas, ou porque não tinha habilidade para isso. Era estranho, porque parecia que não cabia a ela sentir-se sozinha ou triste. Soava como frescura, lamento sem fundamento, recl...
eterna aprendente ♥