Postagens

Mostrando postagens de Novembro, 2009

A história continua...

Para ela, mudar-se não era um grande sacrifício. Não tinha namorado, nem seu coração estava preso a algum homem. Os amigos, via esporadicamente. Com a família, não tinha uma relação de apego. Seus finais de semana eram quase sempre em companhia dela mesma, de livros e revistas, da TV, filmes e do computador. Essas companhias poderiam ir com ela para onde fosse.

A solidão que a habitava não parecia ter sentido. Não mais vinha vê-la em períodos espaçados, como durante a TPM, mas lhe fazia companhia todos os dias. Num jantar com amigos, no bar, rodeada por colegas, na faculdade, com a sala repleta de alunos, em casa, junto com seus familiares.

Havia tentando falar sobre isso. Não tivera êxito. Ou porque as pessoas estavam lá ocupadas, tentando viver suas vidas – nada mais justo -, cuidando de seus próprios problemas, ou porque não tinha habilidade para isso. Era estranho, porque parecia que não cabia a ela sentir-se sozinha ou triste. Soava como frescura, lamento sem fundamento, reclama…

O que faz você feliz?!

Imagem
Estar com pessoas especiais, com certeza!!! :D







Apagão

Ela não entendia o porquê de tanto ressentimento. A vida lhe presenteara com amigos, muitos até, talvez para compensar sua “não-relação” familiar. O que, então, a vida lhe devia que era capaz de provocar nela aquele vazio? O que ELA não lhe dera?

Sentia-se culpada quando tinha esses surtos de egoísmo. Não era natural todo ser humano ter esses momentos? Por que ela não poderia ter os seus? Era tão errado pensar apenas em si?

A vida era mesmo esquisita. Ainda bem que a luz estava voltando. O apagão fora pleonasticamente negro daquela vez.

A história por trás da história

-->
No meio da sessão de cinema, ela teve um insight. Percebeu porque algo na história do vampiro que se apaixona pela adolescente humana causava confusão e reconhecimento nela. Não era a história dos dois, era a forma como a personagem Bella se via que provocava uma espécie de identificação. Bella era seu espelho.
Até aquela música da trilha sonora do primeiro filme falava disso e ela não havia conseguido enxergar o que estava escrito nas entrelinhas e ela não consegui ler.
A personagem do filme sentia-se inadequada no mundo. Como se não pertencesse a ele. Ela também. A personagem do filme não acreditava que podia ser amada por alguém especial. Ela também.
Às vezes, ela, não a Bella, pensava que iria enlouquecer com os momentos de lucidez que tinha, quando olhava ao redor e não se enxergava em sua família, em seus muitos amigos, na ausência do amor que não vivia. Pensamentos angustiantes passavam por sua mente: “Por que era diferente? Por que, afinal, nenhum homem a amava? Por que…

Caminhada...

“Sou o que quero ser, porque possuo apenas uma vida e nela só tenho uma chance de fazer o que quero.
Tenho felicidade o bastante para fazê-la doce
dificuldades para fazê-la forte,
Tristeza para fazê-la humana e
esperança suficiente para fazê-la feliz.
As pessoas mais felizes não tem as melhores coisas
elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos”
- Clarice Lispector

Inspirada em Clarice, vou seguindo meu caminho. A cada passo, construo um pouco de quem sou e deixo em minha passagem fragmentos, lembranças de quem eu fui. Um ser em busca de ser completado, que vai buscando as partes que a formam nos olhares e nas vidas com as quais cruza. Sempre trago saudades. Não sei se as deixo. Sempre em mim há aquele espaço vazio, a insatisfação que faz com que a busca não se acabe. Um ser mutante. Mulher, menina, criança. Não me reconheço no mundo que habito. Serei de outro mundo? Viverei na época errada? Não há inadequação quando se trata de viver. Nada é ao acaso. Um propós…

Fragmento: Considerações Finais

Após muita reflexão, fica difícil contextualizar o que ficou de três anos de curso. Verdade é que, visto de fora, o curso de Letras parece, para os que gostam, um ótimo caminho para se vivenciar a literatura, a escrita. Porém, na verdade, é tempo de arregaçar as mangas, isso sim!


Viver e entender o universo que forma futuros professores é enriquecedor. Não imaginamos o que há do outro lado, do nosso educador, quando o vemos exercer sua profissão em sala de aula. Vemos o professor, sem ver o estudante que ele é e sempre será.


Ser professor é ser sempre um aprendiz. A realidade se modifica a todo instante e verdades absolutas deixam de sê-las em questões de segundos. Reciclar-se é primordial na vida do educador. Amar o que se faz também.


Em sala de aula poucos, pouquíssimos, são os que estão interessados em aprender, em construir conhecimento, agregar valores para tornarem-se adultos bem sucedidos. Culpa deles? De forma alguma. Vêem-se em salas de aulas, decorando fórmulas, regras, nomencl…

Quem elegeu a busca...

-->
“Quem elegeu a busca não pode recusar a travessia.” - Guimarães Rosa

Há três anos eu comemorava, com duas amigas, o ingresso na faculdade de Letras. Até chegar aquele momento, muitas águas haviam corrido. E pensar que o Jornalismo era a minha paixão. Hoje, ao olhar para trás, confesso não ter equilíbrio, distanciamento emocional para lidar com vários fatos com que um jornalista se depara. 
Durante muito tempo eu adiei a entrada neste universo. Por questões diversas. Dinheiro, impossibilidade de cursar a faculdade sonhada, imaturidade, despreparo... besteiras. Um dia, simplesmente ouvi um conselho, sentei em frente ao computador, fiz a inscrição, prestei o vestibular, passei, matriculei-me na faculdade e, aos 33 anos (orgulho!) estou me formando: professora.
Alguém faz idéia do peso que esse título carrega? Da responsabilidade – quando se é responsável – de se saber parte importante do processo de aprendizagem de outro ser humano? Mais ainda: o quanto é difícil o ato de ensinar…

Reflexões sobre o tempo...

"O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem..." - Guimarães RosaO que eu mais queria era ter mais tempo. Tempo para realizar as tarefas obrigatórias com calma, tempo para pensar, para falar, para observar, mas, sobretudo, tempo para fazer aquelas pequeninas coisas que me dão prazer, como escrever. E não é que esta semana descobri que “ganhar tempo, alongar o tempo, comprar tempo...” não passa de metáfora?! Aí de mim!!! O tempo é algo exato. Uma hora terá sempre 60 minutos, assim como cada minuto tem 60 segundos... Podemos adiar os compromissos, conseguir mais prazos, mas não obter mais tempo. Calma aí! Não quero viver uma eternidade, como o bonitão do Edward Cullen. Quero viver meu tempo. Mas, de forma prazerosa, sentindo que cada minuto foi bem aproveitado, que eu pude extrair tudo o que pude de cada segundo. Saí da última empresa em que trabalhava em setembro. Des…