Pular para o conteúdo principal

Reflexões sobre o tempo...


"O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem..."

- Guimarães Rosa

 

O que eu mais queria era ter mais tempo. Tempo para realizar as tarefas obrigatórias com calma, tempo para pensar, para falar, para observar, mas, sobretudo, tempo para fazer aquelas pequeninas coisas que me dão prazer, como escrever. E não é que esta semana descobri que “ganhar tempo, alongar o tempo, comprar tempo...” não passa de metáfora?! Aí de mim!!!

O tempo é algo exato. Uma hora terá sempre 60 minutos, assim como cada minuto tem 60 segundos... Podemos adiar os compromissos, conseguir mais prazos, mas não obter mais tempo.

Calma aí! Não quero viver uma eternidade, como o bonitão do Edward Cullen. Quero viver meu tempo. Mas, de forma prazerosa, sentindo que cada minuto foi bem aproveitado, que eu pude extrair tudo o que pude de cada segundo.

Saí da última empresa em que trabalhava em setembro. Descontente com a função e preocupada com o final da faculdade, com os estágios por fazer e milhões de trabalhos a concluir. Isso melhorou meu tempo?! Não. Confesso que fiquei perdida quando me vi em casa, com tempo para blogar, twittar, para atualizar Orkut e Facebook – e até me inscrever em mais alguma ferramenta desse universo que adoro! –, além de fazer os trabalhos, ler sem pressa e sem obrigação (isso eu consegui voltar a fazer!), ver os amigos, ficar de pernas pro ar, ver novela, sessão da tarde, ouvir música e ficar dançando feito louca sozinha no quarto.

Eu tenho tempo. Mas, tenho culpa! Não é absurdo?! Programei minha saída da empresa, guardei dinheiro para ir até o final do ano, pretendo procurar outro emprego assim que acabar os estágios, embora já tenha me inscrito para dar aulas ano que vem, porém me sinto culpada por ter tempo!!! Agora entendo quando dizem que o ser humano não saber ser feliz. Sou uma prova viva disso.

Está em nós tão arraigada essa cultura de que temos que nos matar trabalhando que tudo o que foge dessa premissa parece errado, não se encaixa. Eu quero trabalhar, no entanto não quero mais ficar trancada o dia inteiro num escritório por obrigação. Isso só funciona quando temos paixão pela função que exercemos. Letras é uma paixão, assim como as artes e tudo o que envolve cultura. Eu entendo o que seja me entregar nesses casos. Mas, trabalhar incansavelmente apenas para pagar as contas, sem ter tempo para viver... não entendo.

Infelizmente, meu tempo está acabando – outra metáfora conceitual – e preciso voltar ao trabalho da faculdade que estou fazendo. Caprichando. Com carinho. Porque se relaciona com algo que eu gosto. Que sou apaixonada.

Guimarães Rosa é outra paixão que me acompanhou nas últimas semanas. Era para falar dessa coragem que ele menciona que comecei a escrever. Da coragem que eu tive para admitir que não podia continuar como estava e que deveria dar um passo rumo a minha vida. Não dá para viver ensaiando. Eu sou corajosa! E saber isso é bom! Posso não ser corajosa em todos os setores da minha vida – ainda – mas, não tenho medo de me jogar, de me arriscar. Independente de qualquer angústia por conta do tempo, estou em um dos meus melhores momentos, construindo meu futuro, tranqüila, apenas incomodada pela falta de espaço – leia-se privacidade. Porém, é algo que daqui a pouquinho eu resolvo. Com o tempo. Que corre rápido, voa, se transmuta nessas pessoas que somos nós.

Falando em coragem, em mudança, voltei a Cidade Maravilhosa depois de seis anos. O Rio continua lindo! Não dá para explicar minha relação com aquela cidade. Mais uma vez, eu não queria voltar. Quem sabe eu não dou mais esse passo? Tempo para refletir...

 

Até breve – e que esse breve seja logo! 

 

"Deus nos dá pessoas e coisas, para aprendermos a alegria... Depois, retoma coisas e pessoas para ver se já somos capazes da alegria sozinhos... Essa... a alegria que ele quer."

- Guimarães Rosa

1 comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Memórias natalinas

A Jornada de Renata Quintela ♥

Levando para a semana que começa a energia inspiradora da descoberta rica e preciosa da semana que acabou. ♥
A Jornada de Renata Quintella

Para Bertoli...

“A maior distância que eu já percorri foi entre minha cabeça e meu coração.”
- Tadashi Kadomoto


Lembro que eu queria surtar. De verdade. Queria surtar para que me internassem e me deixassem em paz. Para que não me cobrassem nada, para que não me pedissem nada, para que não falassem comigo. Queria adoecer meu corpo e tentei de várias formas conseguir isso. Só para ficar em paz.

Queria paz. Algo tão caro, tão importante, tão simples, tão perto e tão distante.

Recordo o dia em que encontrei a paz. Eu ria. Chorava e ria. Nascia leve e feliz. O sofrimento? A dor? Tudo havia ficado para trás. Eu era apenas aquela sensação de amor – por mim mesma, a quem nunca havia amado.

Agora, eu já podia abraçar o mundo! Podia concretizar meus sonhos. Podia amar a mim e não só os outros. Sabia e sentia o significado das coisas. Podia seguir meu caminho e viver a minha vida.

O encontro com o AMOR INCONDICIONAL... Foi marcante. De repente eu era a forma de amor que aquele ser humano tanto quis e nunca encontrou.…