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A história por trás da história

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No meio da sessão de cinema, ela teve um insight. Percebeu porque algo na história do vampiro que se apaixona pela adolescente humana causava confusão e reconhecimento nela. Não era a história dos dois, era a forma como a personagem Bella se via que provocava uma espécie de identificação. Bella era seu espelho.

Até aquela música da trilha sonora do primeiro filme falava disso e ela não havia conseguido enxergar o que estava escrito nas entrelinhas e ela não consegui ler.

A personagem do filme sentia-se inadequada no mundo. Como se não pertencesse a ele. Ela também. A personagem do filme não acreditava que podia ser amada por alguém especial. Ela também.

Às vezes, ela, não a Bella, pensava que iria enlouquecer com os momentos de lucidez que tinha, quando olhava ao redor e não se enxergava em sua família, em seus muitos amigos, na ausência do amor que não vivia. Pensamentos angustiantes passavam por sua mente: “Por que era diferente? Por que, afinal, nenhum homem a amava? Por que os outros a irritavam? Por que não enxergavam quando ela queria colo ou por que não a ouviam quando ela tentava falar? Por que parecia que só a procuravam quando precisavam de suas palavras?”

Ela sentia-se muito solitária. Aquele velho clichê: sozinha no meio da multidão. Era estranho. Ela precisava estar em constante mudança, para sentir-se preenchida, inteira, com algum propósito. Quando uma fase estava acabando, corria a pensar em outra coisa a fazer. Mudar de emprego, de cidade, qualquer coisa. Apenas não conseguia mudar de vida.

Olhava para o futuro com fome de vida! Viver era algo infinitamente fascinante. Só não conseguia encontrar quem enxergasse a vida da mesma forma que ela e que topasse embarcar nas mesmas loucuras.

Ser diferente era triste, porque era solitário. Pensava, às vezes, como seria bom ser simples, até mesmo ignorante, como aqueles vizinhos que transformavam sua vida particular em programa de auditório. Não seria bom não ter consciência da vida que acontecia lá fora? Achar que a vida se resumia a mediocridade que se via na televisão? Uma vez, quis ser burra. A burrice seria sua salvação. Casar com qualquer um, encher-se de filhos e não ter a noção de que viver era mais que isso.

Enquanto não emburrecia, só lhe restava ficar ali, pensando no próximo passo para fazer a vida acontecer. Ela, não era a Bella, não existiam Edwards ou Jacobs lutando por ela. Ela era apenas ela...

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