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Apagão

Ela não entendia o porquê de tanto ressentimento. A vida lhe presenteara com amigos, muitos até, talvez para compensar sua “não-relação” familiar. O que, então, a vida lhe devia que era capaz de provocar nela aquele vazio? O que ELA não lhe dera?

Sentia-se culpada quando tinha esses surtos de egoísmo. Não era natural todo ser humano ter esses momentos? Por que ela não poderia ter os seus? Era tão errado pensar apenas em si?

A vida era mesmo esquisita. Ainda bem que a luz estava voltando. O apagão fora pleonasticamente negro daquela vez.
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