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Adolescer no ponto de ônibus

Meio-dia de uma sexta-feira. Tarde quente, apesar do inverno. No ponto de ônibus, nós, adultos e crianças, esperávamos o transporte que nos levaria a nossos destinos. Éramos Nós e Eles. Eles, um casal de adolescentes, de mochilas nas costas. Namorando. Sorri. Lembrei desta fase da vida em que os outros - no caso, Nós - não importam. Quando tudo o que é vital é vivermos nossos desejos e paixões como se não houvesse amanhã (clichê ♥ ). Época em que o mundo resume-se a nós - adolescentes -, nossos amigos e amores. Pais, professores e outras classes de adultos mal entram neste círculo de importância. Afinal, eles não nos entendem.

No ponto, os jovens confirmavam minhas reminiscências, sob olhares desaprovadores e outros, que nem os notavam. Eu? Permanecia sorrindo. Porque, culpa minha, nunca consegui esquecer que a adolescente que fui habita a adulta que sou. Eu já estive ali, naquele ponto de ônibus. Eu já fui a menina apaixonada, cheia de sonhos e desejos que precisavam ser realizados agora. Amanhã,  não. Pode ser muito tarde.

Fico pensando quantos conflitos Nós, adultos 'experientes' evitaríamos se nos lembrássemos que já fomos Eles, jovens 'detentores da verdade e com sede de viver tudo-de-uma-só-vez-aqui-e-agora'.


O ônibus chega. Subo. Agradeço mentalmente ao casal apaixonado - porque ser dominado pelos hormônios nesta fase também é amor - pelas lembranças provocadas.

Abro o bloco de notas do celular. Escrevo e revisito o passado.

Imagem: We Heart it (aceito traduções do texto que está na foto)

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