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Não comer carne: a dificuldade em aceitar o que é diferente

Há pouco mais de um ano, quando escolhi tirar da minha dieta vários tipos de carnes - hoje, sou 'peixetariana' :o) - eu sabia que teria que lidar com a dificuldade de outras pessoas em aceitar minha opção.

A maior parte das pessoas com quem convivo estão super acostumadas com isso. Até meus pais, carnívoros por natureza, nunca me questionaram. Dentro de sua simplicidade, até pensei que eles dificilmente entenderiam. E, talvez não entendam, mas aceitam. Contudo, ainda que tenha se passado um bocado de tempo em que a carne bovina, suína e de aves não façam parte do meu prato, isso ainda causa conflito em minhas relações. 

Como boa 'encasquetadora' que sou, me vi refletindo sobre isso. Acabou que, um dos motivos possíveis dessa dificuldade de alguns em aceitar minha dieta, seja o tal convívio com as diferenças. Sim, porque temos muita dificuldade em lidar com o que é diferente, com o que foge aos padrões - e a opção por não ingerir carne vermelha e outras é fugir aos padrões de uma sociedade em que ter o freezer abarrotado de carne é  - ainda - sinônimo de prosperidade e fartura.

Na verdade, a questão da dieta alimentar aqui é mesmo o de menos. É o lidar com as diferenças que incomoda. Como é difícil para nós aceitar que o outro é diferente e ponto. Sem buscar explicações, sem querer comprovações científicas, atestados em cartórios, com firma reconhecida e autenticada.

Não posso também deixar de considerar que o que nos incomoda no outro, é algo que temos que sondar em nós mesmos. É conteúdo pessoal a ser sondado, trabalhado, entendido e internalizado. Não é do outro. É meu. 

Mas, penso que o peso maior recai sobre a questão da diferença. Quando se trata de pessoas mais velhas, que já não estão dispostas a aprender um novo olhar para a vida, vejo até como natural a rejeição a minha escolha. Sem contar as crenças mais curiosas e estranhas que existem sobre o que pensam ser a alimentação de um vegetariano ou vegano: os 'pobres' só se alimentam de alface e tomate! Rs... Hello!!!

Da minha parte, permaneço convivendo muito bem com familiares e amigos que amam uma picanha, ou que consumam lá seu frango a passarinho, ou que não passam sem uma bisteca. Eu como peixe - que é carne, para quem não sabe! Honro e respeito a escolha de cada um, assim como honro as minhas. 

Não que seja mais simples ou fácil para mim, do que para outras pessoas, lidar com as diferenças. Mas, é que eu não acredito mesmo em seres perfeitos e iguais. É chato! Gosto um monte das idiossincrasias que nos torna únicos.

Imagem: Google

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