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Terceira posição...

Amo a PALAVRA, porém a DANÇA é uma linguagem mais universal. Fala direto aos corações e almas humanas.

Eu já contei de quando era criança e afastava os móveis da sala para dançar, ao som de músicas clássicas, do que rolava no programa Clip Trip (esse é velho, hem? quem lembra?!) e de alguns LP’s que tínhamos em casa? Já falei também que ficava parada, no ponto de ônibus, com os pés em terceira posição, esperando o ônibus, quando eu nem sequer sabia o que era essa tal de terceira posição?! Tudo imitação da arte, dos movimentos, das posturas das bailarinas e dançarinas que eu via na TV.

Foi muito mais tarde que fui agregar ao meu vocabulário essa linguagem mais rebuscada, vindo no francês e que fui descobrir que aqueles movimentos dos bailarinos tinham nome e que eles – os bailarinos - não eram apenas guiados pela música, pela intuição, pelo coração... ou não! Melhor dizendo, o coração, o amor pela dança guia os bailarinos, para que eles executem da forma mais sensível possível aqueles movimentos técnicos de nomes pomposos...

Não entrarei em digressão mais uma vez sobre meu amor pela dança ou sobre meus sonhos de infância de me tornar bailarina. Eu os alcancei... toquei meus sonhos com as mãos. Agora, eles fazem parte da minha história. Minha trajetória é outra. O meu amor pela dança, infinito...


Deixo que o Balé da Cidade de São Paulo fale por mim, na voz de Chico Buarque, em uma linda composição sua e de Tom Jobim.


Eu te amo – Chico Buarque e Tom Jobim

Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir

Ah, se ao te conhecer
Dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir

Se nós nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir

Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu

Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu

Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios ainda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair

Não, acho que estás te fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir.

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