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Epitáfio...

“Como água no deserto
Procurei seu passo incerto
Pra me aproximar
A tempo
(...)
Deixa eu te levar
Não há razão e nem motivo
Pra explicar
Que eu te completo
E que você vai me bastar, eu sei
Tô bem certo de que você vai gostar
Você vai gostar
Como lava no oceano
Um esforço sobre-humano
Pra recomeçar do zero
Se pareço ainda estranho
Se não sou do seu rebanho
E ainda assim
Te quero..."
(...)

Amo MPB desde... bom, não me recordo desde quando... Enfim, adoro música, sou um ser humano que está sempre com um fone de ouvido na orelha, que dorme e acorda ouvindo música, que liga a TV em canais de música e a deixa rolar, que cantarola o dia inteiro no trabalho – pena que não posso ouvir na empresa - e que relaciona música com toda e qualquer fase da vida.

Sou apaixonada por cantoras! Marisa Monte – meu amor incondicional! – Adriana Calcanhoto, Elis, Vanessa da Mata, Cássia Eller, Betânia, Isabella Taviani, novas e antigas musas.

Ana Carolina compôs boa parte da trilha sonora da minha vida nos últimos três anos. E foram tantas músicas. Fases de esperança e conquista, com Nua e 2 Bicudos... Fases pesadas, de muita tristeza, com Mágoa e Carvão... Uma voz rouca e ao mesmo tempo forte, que parecia gritar tudo o que eu mesma queria gritar e não conseguia.

A música acima foi minha trilha sonora de quinta-feira, quando percorria as cinco quadras que me separam entre a empresa e o Metrô Consolação. Dia em que escrevi um texto libertador para o blog. Fui subindo – sim, porque não basta haver cinco quadras me separando do Metrô! Ainda é uma subida para tornar a vida mais divertida! – a Padre João Manuel, prestando atenção a letra de Tolerância, uma sensação de liberdade, de felicidade por enxergar que estava finalizando uma fase, foi tomando conta de mim.

É bom poder enxergar que velhos sentimentos não nos dominam mais. Que sou a dona das minhas emoções! Bom ver que meu coração é livre e que não estou mais presa a esperanças sem fundamento! Bom olhar ao meu redor e enxergar as possibilidades de pessoas que eu não sabia – por cegueira emocional – existir!

Morri para a história que provocou o início de uma revolução em minha vida. Renasço para o que a vida me apresentar. Posso abraçar ou não o que me for oferecido. A pessoa que fui e que morreu viveu momentos de pura catarse. Agora, é hora de ela ter seu descanso merecido e me deixar viver com toda a sabedoria que - duramente, penosamente, aridamente - ela aprendeu.

“Aqui... jaz pó; eu não; eu sou quem fui...
Raio animado de uma Luz celeste,
À qual a morte as almas restitui,
Restituindo à terra o pó que as veste.”
- Epitáfio de João de Deus para o túmulo de Antero de Quental


 Ana Carolina - Tolerancia Ana Carolina

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