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No meio do caminho tinha um protesto

No meio do caminho tinha um protesto. Longe da Paulista, ali, num dos cantinhos da periferia de São Paulo. Um grupo pequeno, travando o trânsito e fazendo o ônibus no qual eu estava parar mais do que sair do lugar.

E MEUS horários? E MEUS compromissos?

Segundo passageiros, eram moradores de uma área a ser desapropriada. Achei triste. E só.

No entanto, quando o ônibus alcançou os protestantes, eu vi: um homem de mãos dadas com quem deveria ser seu filho, caminhando em defesa de sua causa. Sua casa. Seu direito de moradia. Eu senti. E entendi: amanhã ou depois, aquela parcela de família - ou eles sendo toda a família -, poderiam ter como teto o céu estrelado, a lua, a chuva, o frio, o sol, o calor... sem poesia.

Pelo que sei, um trecho do Rodoanel passará no local onde aquelas pessoas construíram suas casas simples e seus sonhos, não necessariamente cor de rosa. E o progresso - que, como muitos de nós, os vê como detalhe incômodo e sem importância -, vai derrubar pau, pedra, zinco, vida e sonhos.

Pode não ser assim... mas, geralmente é.

***

Como você prefere olhar?

Avisei minha amiga de que deveria me atrasar. E mentalmente agradeci.

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