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Manifestações e utopia

Muito me orgulho do meu Subrinho - apelido carinhoso. Desde pequeno, ele já dava mostras de que, com ele, argumentar era preciso. Nada dos tradicionais 'porque eu mandei', 'porque sim', 'porque sou sua mãe', etc.

Semana passada, ele chegou tarde em casa - bem no dia do aniversário da irmã -, por conta das manifestações na Paulista em protesto ao aumento das passagens de ônibus. Claro que ficou um pouco chateado.

Eu vi ele questionando e buscando no Face quem organizava aquilo e não entendi bem. Ontem, eu entendi. Ele chegou tarde em casa, porque esteve acompanhando a manifestação, para entendê-la, antes de qualquer crítica.

Ao vivo, ele viu como nossa impressa pode ser tendenciosa, mostrando apenas parte do que acontece - e geralmente, cenas que favoreçam o poder público e não os que buscam lutar por seus direitos. Ele viu gente se infiltrando na manifestação com a única intenção de promover o quebra-quebra e a bagunça; pessoas sendo financiadas para isso.

Estando por perto, viu passantes que nada tinham a ver com a manifestação sendo atacados pelos policiais - que estão ali cumprindo ordens. Viu quem buscava defender estes transeuntes, serem igualmente agredidos.

Ele deixou de ir direto para casa, porque ele quis entender; assim, viu mais do que nós, que, do sossego das nossas casas, vamos julgando estes e outros acontecimentos.

Eu também julguei. Não me eximo da culpa. Agora, eu espero ter aprendido.

Sobre a impressa, já faz algum tempo que ela me desiludiu, com reportagens cada vez mais parciais e tendenciosas. Nada há de novo. Há profissionais e profissionais. Ainda há jornalistas competentes para se admirar. Pena que nem todo mundo tenha acesso a eles.

Sobre o ser humano, sonho com o dia em que sejamos mais como meu sobrinho e mergulhemos melhor nas questões, antes de dar nosso parecer - se é que ele é necessário.

Espero que as manifestações continuem, sim, porque lutar por nossos direitos é mais que justo. Torço para que os pseudos-manifestantes que se infiltram, promovendo o quebra-quebra - financiados sabe-se-lá-por-quem -, sumam.

É utópico, eu sei. Mas, atitude como a do meu Subrinho também era utopia para mim, até ontem.
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