Ouvir a voz do corpo


Fechar os olhos...
Ouvir o seu silêncio...
Ouvir as batidas do coração
Ouvir a voz do corpo... deixar ele falar...
Deixar que o movimento se faça, a partir dos caminhos que o corpo quer seguir...
Movimentos de dentro para fora... movimentos de fora para dentro...
Deixar o corpo dançar a tristeza...
Deixar o corpo dançar a alegria...
Deixar o corpo dançar a solidão...
Deixar o corpo dançar o amor...
Deixar o corpo dançar O Divino...


Celular programado para despertar cedo. Assim que ele desperta, tocando a melodia calma que elegi para despertar [Om Ami Dewa Hri], meu corpo sinalizou que não era o que queria. Não era preguiça. Era ele me dizendo que não estava pronto para despertar. De olhos fechados, sentindo um certo mal-estar, na dúvida entre voltar a dormir ou despertar de vez - e permanecer surda ao que meu corpo me pedia - lembrei das aulas da Claudete, minha antiga professora de dança e de seus ensinamentos.


Mais que realizar um sonho de infância - DANÇAR -, com a Claudete aprendi que nosso corpo tem voz e  fala - muitas vezes, grita, quando nos recusamos ouvi-lo. Ele é sábio, deve ser honrado e respeitado. 

No resgate dessa lembrança, entendi que se levantasse, não estaria inteira, presente, para o dever que tinha a cumprir. Era algo que poderia fazer mais tarde? Sim. Havia necessidade de acordar cedo e sair atropelando meu sábado, para incluir outros afazeres na agenda, num dia que deveria ser de relaxamento e prazer? Não. Escolhi acolher o desejo do meu corpo e voltei a dormir. Acordei horas mais tarde, totalmente relaxada e disposta. Inteira.

Há uma busca enorme, atualmente, por uma vida mais significativa e simples. Mas, ainda é forte a cultura do ter que esgotar-se para alcançar o que se quer. Precisamos, ainda, provar nossa eficiência, acima de tudo! Precisamos? Eu pulo fora! Com calma, prazer e constância, reconhecendo e respeitando os meus limites, escolho alcançar a eficiência por outras vias. 

Sou grata a Claudete pelos ensinamentos. Apesar de afastada da dança desde 2007, carrego sempre comigo as lições aprendidas nos quatro anos em que fiz parte da família Atmajda, mais tarde, Ekilibrium Estúdio de Dança [este espaço, realização do sonho da Mestra]. 

Namastê! _/\_

Texto e imagem: Ekilibrium Studio de Dança



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