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Palavras me tocam...

Foto: Gleide Morais

Minha semana foi permeada por sensações que me levaram a quatro palavrinhas: MERECIMENTO, PERCEPÇÃO, EPIFANIA - que eu insisto em acentuar, sabe-se lá por que - e LAVANDAS.

Em meu post anterior falei sobre a pós que iria começar neste final de semana... iria. Infelizmente, não houve um número de inscritos suficientes para formar uma turma. Apesar de uma tristeza inicial que me tocou, logo pensei nesta questão do MERECIMENTO: não era para ser, porque eu mereço algo melhor (outra instituição, outros mestres, etc.).

Merecimento... olhar-me a partir desta ótica não é algo simples, por conta de outras palavrinhas: Complexo de  Inferioridade. Eu batalho para me permitir ver que mereço algumas benesses, pois este tal de complexo aí faz com que eu não me enxergue merecedora de privilégios, alegrias e afins. O bom é que descobri isso - em terapia; daí que, de forma consciente, busco me ver sobre outra lente. Também no post anterior comentei sobre a dignidade de algumas pessoas, ao abrir portas para mim, mas esqueci-me da questão do merecimento. Eu mereci, uai! Entonces, o mérito é das pessoas dignas que estão caminhando comigo e meu também! 

Ao final, esta reflexão me chamou a atenção sobre como minha PERCEPÇÃO para o que me acontece tem estado aguçada. É o tal olhar de aprendiz, as intuições - que vêm e eu, algumas vezes, eu burramente desconsidero -, o silenciar, os perfumes que tocam o coração. Perfumes?! O.o

Os perfumes me levam às LAVANDAS que estão no jardim da CASA7, a ONG para a qual presto serviços. Aquele odor gostoso das lavandas sobem do térreo para o primeiro andar, entram pela janela e invadem a sala. Sabe o que é trabalhar com este cheirinho?! Um luxo! E saber-me merecedora deste privilégio, tornam minhas tardes deliciosas, perfumadas pelas lavandas. São percepções, Bebê! 

E a EPIFANIA. Sou apaixonada pelo jeitinho de escrever da Clarice Lispector. Não li nem metade de seus livros, mas devorei leituras sobre sua vida e sua obra, para trabalhos de faculdade, por fascínio e por querer saber quem foi esta minha mestra! A epifania, característica de sua obra, é o auge, aquele momento da história, em que há um encontro com algo sagrado, divino. Clarice narra estes momentos de forma tão primorosa, que esqueço de respirar quando a leio! E, nesta sexta-feira, com espanto, vivi um momento destes.

Estava a caminho do Centro de Sampa, quando o ônibus parou, aguardando o sinal que estava fechado - sim, depois lembrei da Ana, personagem do conto Amor, que está em Os Laços de Família, no bonde. Olhei para o lado e, naquela avenida movimentada, no canteiro central, vi um pequeno varal com uma cueca, um par de tênis e uma camiseta pendurados - os objetos não poderiam ser mais 'Clarecianos'. E o tempo parou. Alguma vez, ao deparar-se com uma imagem ou algum acontecimento, as emoções e compreensão chegaram a você, antes que qualquer raciocínio passasse por sua cabeça?! Foi o que me aconteceu: entendimento, amor, clareza, compaixão, lágrimas, gratidão, consciência... EPIFANIA!!! Tudo numa torrente, num mesmo instante, que eu só pude soltar um profundo suspiro e um 'Uau!'

Foi ali, no vácuo, que senti o quanto sou privilegiada, consciente, resultado de minhas escolhas, feliz, abençoada, etc... conectei-me com a percepção de que EU SOU, assim, sem preparo, sem buscar, sem esperar... 

Se eu fosse Clarice, talvez conseguisse transformar em palavras o que representou aquele breve momento. Como Gleide, posso apenas dizer que foi intenso, visto que meu vocabulário é limitado demais para traduzir o que vivi.  

E assim, bem contente - tenho gostado muito de usar esta locução adjetiva! - que encerro esta semana. Tem sido mágico - incluindo ao lado das alegrias, todas as dores e quedas - caminhar neste planetinha amado, nesta Grande Mãe que me acolhe. Honro demais esta minha existência.

Imagem: Internet





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