Livros de Cabeceira

Vivo uma fase intensa de busca de autoconhecimento e, neste processo, acabo lendo muito, para entender o que se passa comigo e, também,  por conta de um futuro na área terapêutica, escolha do meu coração.

Hoje, tenho dois livros de cabeceira que são verdadeiros conselheiros. Consulto, questiono, aprendo muito com eles. E gosto de trocar o que tenho lido. Verdade que são minhas escolhas. Para alguns, o caminho não é pela leitura e tão pouco, pelo estilo de livros que eu escolhi como 'meus professores'.

Outro dia postei aqui um trecho de As Cartas do Caminho Sagrado, que é uma espécie de oráculo, com ensinamentos dos índios norte-americanos. Um momento de pausa, concentração e  presença são suficientes para tirar em As Cartas algum ensinamento valioso para o dia ou o momento.

O outro livro é As Mulheres que Correm com os Lobos que, para mim, deveria ser leitura obrigatória para toda mulher que almeja entender-se mais e evoluir, resgatando nossa essência feminina (Mulher Selvagem), meio esquecida e até desprezada, por muitas de nós.

Comecei a estudar uma parte do livro que fala sobre a união com o outro. Há tanta obviedade em alguns trechos... mas, parece-me que andamos mesmo cegas sobre quem somos. Com isso, como saber quem queremos ao nosso lado e como esperar que o outro nos enxergue ou nos entenda? 

"Se as mulheres querem que os homens a conheçam, (...) elas têm de lhes ensinar algo do seu conhecimento profundo. (...) A maioria dos homens quer saber. Quando os homens demonstram essa disposição, é a hora de fazer revelações; não apenas a esmo, mas porque mais uma alma perguntou.(...)
Não há dúvida quanto ao fato de o Homem Selvagem procurar sua noiva nas profundezas da terra. (...) 
Da mesma forma, não há ninguém que a Mulher Selvagem ame mais do que um parceiro que seja seu igual. No entanto, talvez desde o início dos tempos, incessantemente aqueles que queriam ser seus parceiros não estão muito seguros de compreender a verdadeira natureza da mulher. O que realmente deseja a mulher? (...)"

"(...) Se a mulher quiser que seu parceiro tenha esse tipo de receptividade, ela lhe revelará o segredo da dualidade da mulher. Ela lhe falará sobre a mulher interior, aquela que, somada a ela mesma, formará duas. Isso ela consegue ao ensinar seu parceiro a fazer duas perguntas de uma simplicidade enganosa que farão com que ela se sinta vista, ouvida e conhecida (...) 'O que você quer?' (..) 'O que deseja seu self mais profundo?' 
Quando se ignora a natureza dual da mulher e se julga a mulher pelo que ela aparenta ser, pode-se vir a ter uma grane surpresa, pois, quando a natureza primitiva da mulher emerge das profundezas e começa a se afirmar, é frequente que ela tenha interesses, sentimentos, ideias muito diferentes dos que manifestava antes.
Para tecer um relacionamento seguro, a mulher também fará as mesmas perguntas ao parceiro. (...) A partir da informação que recebemos reciprocamente dos dois lados, podemos determinar com clareza o que é mais valorizado e como reagir de acordo com isso.
Quando a mulher consulta sua própria natureza dual, ela está cumprindo o processo de olhar, examinar e sondar o material que está para além do consciente, sendo, portanto, muitas vezes surpreendente no seu conteúdo e no seu tratamento, e quase sempre de imenso valor.
Para amar uma mulher, o parceiro deve também amar sua natureza primitiva. Se a mulher aceitar um companheiro que não possa amar ou que não ame esse seu outro lado, ela sem dúvida acabará arrasada sob algum aspecto e deixada a vaguear cambaleante, em desmazelo.

Portanto, os homens, tanto quanto as mulheres, devem identificar suas naturezas duais. O amante mais querido, o pai mais valorizado, o amigo ou 'homem selvagem' mais valioso é aquele que deseja aprender. Quem não se delicia com o aprendizado, quem não é atraído por novas ideias ou experiências, não conseguirá passar do marco de estrada junto ao qual está descansando agora. Se existe uma força que alimenta a raiz da dor, ela é a recusa a aprender além do momento presente.

Sabemos que a criatura Homem Selvagem está a procura da sua própria mulher terrena. Com medo ou não, é um ato de profundo amor o de se permitir ser perturbado pela alma primitiva dos outros. Num mundo em que os seres humanos têm tano medo da 'perda, existe um excesso de muralhas protetoras contra o mergulho na numinosidade de outra alma humana.
O companheiro certo para a Mulher Selvagem é aquele que tem uma profunda tenacidade e resistência de alma, aquele que sabe mandar em sua própria natureza instintiva ir espiar por baixo da cabana da alma de uma mulher e compreender o que vir e ouvir por lá. O bom partido é o homem que insiste em em voltar para tentar entender, é o que não se deixa dissuadir.
Portanto, a tarefa primitiva do homem consiste em descobrir os nomes verdadeiros da mulher, não em usar indevidamente esse conhecimento para ganhar controle sobre ela, mas, sim, para captar e compreender a substância numinosa de que ela é feita, para deixar que ela o inunde, o surpreenda, o espante e até mesmo o assuste. Também para ficar com ela. Para entoar seus nomes para ela. Com isso os olhos dela brilharão. E os dele também.
(...)"
(fragmentos de As Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés)
Meus queridinhos










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