Em tempos de Páscoa...


Em tempos de Páscoa, não sei como não pensar em mudança. Nas mudanças pelas quais passei, nas que estou passando, nas que virão. Eu não consigo pensar em mim no mesmo estado, por muito tempo. Houve um tempo em que eu defendia os meus conceitos – que eram eternos e imutáveis. Hoje, defendo com unhas e dentes o direito de mudar.
Eu já escrevi uma vez – será que, no final das contas, estou sempre me repetindo? – que gostar de mudar não significa ser volúvel. Ou ter medo de permanecer num lugar. Mudar é aceitar que você não pertence mais àquele instante, àquele local, àquelas pessoas. E isso para mim é tão palpável atualmente.
Estou caminhando. E essa caminhada é para frente. Óbvio, mas não o é para muitos. Por conta desse caminhar, não consigo ficar muito tempo presa ao que não quer evoluir, crescer. Sim, eu tento mostrar que há outros caminhos, outras possibilidades. A vida é vasta. Mas, nós seres humanos, nos encontramos em patamares tão distintos em busca de nossa evolução. Não há como trazer para onde estou pessoas que têm que passar por tantas coisas pelas quais eu já passei. Assim como eu não posso pular etapas e querer caminhar ao lado de quem já viveu experiências que eu ainda irei viver. Cada um no seu tempo, no seu quadrado. E é baseada nessa consciência que exerço a – difícil – arte de desapegar.
Algumas vezes, eu sinto medo. Honestamente, VÁRIAS vezes eu sinto medo. Medo de desistir antes do tempo; medo de ser volúvel (!). Mas, paro para olhar o que já fiz e quais foram minhas tentativas para fazer dar certo. E, principalmente, ouço meu coração e observo o que ele quer. Eu sei que ele não quer sofrimento. Não por covardia. Meu coração sabe que não precisamos passar tantas vezes pela dor para evoluir. Sabemos que há caminhos amorosos, equilibrados, delicados. Não precisa doer para ascender. Meu caminho é outro hoje. É do afeto, do carinho, do abraço. Sem gritos, sem agressividade, sem raiva. Isso não cabe mais em mim.
Há uma estrada nova à minha frente. Após pensar se minha vida está de acordo com os meus sonhos, com minha essência, vi que é hora de reconsiderar. Repensar a caminhada e perceber que tenho que tomar outra rua. Essa que escolhi, não está me satisfazendo. Não anda me permitindo cumprir meu papel. Está na hora - e agora me lembrei da Cris – de parar de olhar para a porta, esperando a felicidade entrar por lá, quando ela pode estar tentando pular a janela para fazer parte da minha vida. E só eu posso me proporcionar isso.
É... a Páscoa me fez estar aqui. E pensar que, para muitos, a Páscoa é apenas tempo de ganhar ovos de chocolate e comer bacalhau. Ovo, ressurreição de Cristo e sua ascensão aos céus. Será que só eu percebo o quanto há de “nova vida” nessa data? O Mestre nos deixou um legado enorme de AMOR. Eu vou atrás desse aprendizado. Ser feliz. Amando incondicionalmente. Tenho certeza que é isso que Ele espera de nós.
Que assim seja!
Namastê.

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