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Carolinas

Foto: Luly
A vida tem muitos sabores. Infância, adolescência, vida adulta... escola, faculdade, trabalho, casa da tia, da madrinha, da vizinha, da avó, da melhor amiga, da mãe. Lugares e momentos diferentes que nos remetem a sabores diferentes. 
Quando eu estava no colegial costumava passar em uma padaria na Casa Verde, com duas amigas para comprar carolinas. Caminhávamos pelas ruas do bairro nos deliciando com nosso quitute, ao sabor da vida, com o coração cheio de amor por algum mocinho da escola e a despreocupação de nossos 15 anos. Nossa dieta, bem balanceada, era composta também de café, Ioiô Cream e Mortas Fritas - mortadela frita, servida ao suco de limão, iguaria encontrada na casa da Andréa.
Posso sentir o cheiro, o gosto de alegria e felicidade daquela época. Por mais que fossemos adolescentes, com todos os sentimentos e hormônios à flor da pele e com todas as emoções extremadas que sentíamos – afinal, morrer de amor era algo muito mais real do que simples movimento literário aprendido nas aulas de português -, éramos sim felizes! Ter quinze anos é especial e ao lado de amigas queridas, essa fase foi ainda mais linda!
Mas, crescemos. Mudamos alguns valores, vivemos outra vida, conhecemos outras pessoas, travamos novas amizades. E vamos seguindo, aprendendo e evoluindo com o que a vida nos oferece e com o que buscamos para nós.
Algumas vezes a vida nos atropela. Somos atropelados, muitas vezes, sem entendermos ou percebermos de onde veio o caminhão. O atropelamento é tão rápido e tão eficaz em provocar uma ferida, ou abrir uma que pensávamos cicatrizada, que mal temos tempo de pensar no que está acontecendo.
Eu fui atropelada ontem. Passado um dia, eu já consigo perceber que o acidente não começou ontem, mas no início da semana. Ontem mesmo eu fiquei com o aprendizado e desapeguei do que não era necessário desse incidente. E comi carolinas.
Fui à padaria comprar pão, no final da tarde, e vi ali na vitrine aquele doce que tantas lembranças boas me traziam. Lembrei-me da alegria de outros tempos – não que eu não tenha alegria hoje. Visitei meus quinze anos, minhas amigas, as ruas por onde nos aventurávamos e a essência de quem eu sou.  Pedi 100 gramas de carolinas, 100 gramas de felicidade, 100 gramas de alegria, 100 gramas de “o universo é todo meu”, 100 gramas de amizade pura. Muito mais veio naquele embrulho. E eu recordei que é por isso que vivemos momentos mágicos na vida. Para carrega-los dentro da gente e acessá-los em um momento oportuno. Porque eu posso ter sido atropelada pela vida, mas há encontros muito mais importantes e verdadeiros que esse acontecido. É o que me moldou e me tornou quem eu sou. É para viver outros encontros mágicos que vivo. Dessa forma, nenhum atropelamento pode me machucar de verdade.
À Andrezza, à Andréa e à Gleide: que a vida nos reserve muitos pacotes de carolinas.


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