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Vírus do bem...

Tenho um casal de amigos que está “grávido”. Como gostam de registrar os momentos especiais, tiram muitas fotos. Eu adoro, pois mesmo distante, posso acompanhar a gravidez – fruto de um amor tão bonito. Observando umas fotos recentes, não pude deixar de me emocionar com as imagens que via... elas falavam alto. Transmitiam amor, cumplicidade, afeto. Eu não pude guardar dentro de mim minhas emoções e compartilhei uma daquelas fotos, expressando o quão eles são especiais. E o fato de ter externado o que eu sentia me levou a pensar o quanto nós guardamos as emoções só para nós. E cá estou eu para falar disso.

Sábado, compartilhando um momento de reflexão com uma turma especial, eu já pensava nisso. Conseguimos, facilmente, jogar aos quatro ventos nossas insatisfações, nossas mágoas, o cotidiano que nos irrita, a raiva, a intolerância. Mas, temos grande dificuldade em expressar amor, carinho, afeto. Não nos damos conta de que, espalhando sentimentos, emoções grandiosas, nos tornamos grandiosos e inspiramos os outros a agir da mesma forma.

Essa minha amiga demonstra todo o amor-afeto que sente aos outros. Não tem medo – vergonha – de dizer que ama, que gosta, que sente saudades. Não haveria outra forma de eu retribuir o que as fotos dela me fizeram sentir se não fosse da mesma forma. Ela me inspirou. Plantou uma sementinha que floriu. Eu retribui. E penso que posso, da mesma forma, plantar sementinhas em outros, que retribuirão a outros, que plantarão sementinhas de afeto infinitamente. Até que sejamos todos um pomar, cheios de frutos de amor, de afeto, de abraços carinhosos...

Parece piegas, não? Papo de auto-ajuda. E aí, nos deparamos com algo que nos barra: o medo do julgamento. O que irão dizer se, de repente, me ponho a soltar palavras amorosas, a distribuir abraços afetuosos, a sorrir, a dizer “bom dia” a quem cruza nosso caminho? E, novamente, a mesma questão absurda: por que não paramos para refletir da mesma forma antes de explodir, de dizer palavras que magoam ou de ter atitudes agressivas? Não deveríamos ter medo de sermos julgados ao sermos flagrados em atitudes assim? Vivemos mesmo uma inversão de valores.

Vejo diariamente o quanto o indivíduo age por reflexo quando é agredido verbalmente. Rebatem da mesma forma. Muitos podem pensar que quem reage apenas se defende, que o errado é não se defender. Mas, quando quem agride é um aluno, que vive em um universo de violência, nós, presumidamente maduros, mais vividos, não deveríamos agir de outra forma? Hum... não éramos para ser luz, orientação para aqueles que estão “perdidos”, porque não conheceram o carinho, o afeto, o abraço?

Vivemos em um universo em expansão, ainda bem! Contudo, ainda é grande o número de pessoas que pensam na hora de demonstrar amor e seguem o impulso quando se trata de agredir.  Muitas são as pessoas que ainda crêem que os problemas que acontecem fora de seu círculo social, de sua família não lhes dizem respeito.  Apesar de saber que, em primeiro lugar, eu devo cuidar do meu jardim (lindo Mário Quintana!), não deixo de pensar que é triste ver seres humanos sendo tratados como coisas. Porque é o que acontece.

O que dá para fazer? Não pensar para agir com o coração e pensar – MUITO – quando o desejo de agredir aparecer. Demonstremos mais afeto. Sejamos vírus do bem. É difícil começar. Mas, com pequenos gestos, chegaremos a gestos mais largos. E seremos inspiração para outros. Como a Cris sempre foi para mim. Como alguns outros amigos o são.

“Se você começar, outros vão te acompanhar e cantar com harmonia e esperança.”
– Roupa Nova

Casal Inspiração
Foto: Marcia Formigoni

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