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Para Bertoli...

“A maior distância que eu já percorri foi entre minha cabeça e meu coração.”
- Tadashi Kadomoto


Lembro que eu queria surtar. De verdade. Queria surtar para que me internassem e me deixassem em paz. Para que não me cobrassem nada, para que não me pedissem nada, para que não falassem comigo. Queria adoecer meu corpo e tentei de várias formas conseguir isso. Só para ficar em paz.

Queria paz. Algo tão caro, tão importante, tão simples, tão perto e tão distante.

Recordo o dia em que encontrei a paz. Eu ria. Chorava e ria. Nascia leve e feliz. O sofrimento? A dor? Tudo havia ficado para trás. Eu era apenas aquela sensação de amor – por mim mesma, a quem nunca havia amado.

Agora, eu já podia abraçar o mundo! Podia concretizar meus sonhos. Podia amar a mim e não só os outros. Sabia e sentia o significado das coisas. Podia seguir meu caminho e viver a minha vida.

O encontro com o AMOR INCONDICIONAL... Foi marcante. De repente eu era a forma de amor que aquele ser humano tanto quis e nunca encontrou. Eu puder SER AMOR para quem só conhecia a dor. Ainda hoje, não encontrei palavras possíveis de descrever essa sensação.

Desde o momento que cruzei aquele corredor, eu senti que minha vida mudaria. Saber, eu já sabia antes, quando decidi. Naquele corredor experimentei o primeiro contato com o AMOR INCONDICIONAL. Aquelas pessoas que não me conheciam, além das que me conheciam, estavam ali torcendo por mim e pelos outros. Já tinham feito aquela viagem, que agora eu iniciava.

Depois, foram tantas emoções até o encontro com a paz. Muitas lágrimas. Lágrimas que corriam livremente. Sem vergonha, sem medo, sem culpa. Lágrimas que limpavam minha alma, meu espírito, meu corpo. Lágrimas de redenção. De amor. De paz.

E foram momentos de pura alegria, de pura entrega. Momentos em que me permiti ser feliz. Ser criança. Brincar. Cantar. Pular. Alimentar esperanças sobre todo o futuro. Porque o futuro estava logo ali, à minha espera, me aguardando para ser construído. Tijolo a tijolo. Concreto. Palpável. Como nunca havia sido para mim.

Naqueles dias aprendi que eu era parte de um todo. Que eu era muito importante. Mais que aprender, eu pude sentir. Carrego em meu coração essa certeza. Hoje, eu sei porque sou insubstituível. Ninguém pode ser Gleide. Apenas eu.

Fragmento de algo que escrevi para mim naqueles dias:

“(...)Mas, sobretudo, viverei e olharei para mim, a pessoa mais importante da minha vida e a quem eu nunca enxerguei, nunca dei atenção, nunca poupei. À Gleide dei todo o peso e toda a culpa para carregar. Hoje, dou a ela todo o meu amor, toda a leveza e beleza da vida e toda a luz divina que habita em meu ser. Pois, sem ela, não posso ser nada para os outros.”
(out/08)
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