Pular para o conteúdo principal

Sobre quem nos torna quem somos...

Algumas pessoas nos lêem – e é essa mesma a palavra que devo usar – muito bem! Como se fossemos transparentes. Admiram e gostam de nosso lado e respeitam e aceitam nosso lado mau. Todos nós temos pelo menos uma pessoa assim em nossas vidas. Eu me atrevo a dizer que tenho mais de uma. O que nos une? Nos identifica? Talvez nossa ânsia em nos atirar para a vida.

Uma dessas leitoras da minha alma é a Cris. Sabe me ler como ninguém. Outro dia, numa troca de e-mails, comentei que um dia seremos famosas e serão publicadas as correspondências entre Cris Fagá e Glê Morais. Como se fossemos Carlos Drummond e Vinícius de Moraes... Confesso, fui presunçosa na comparação. Mas, em alguns momentos da vida, merecemos sê-lo.

A Cris escreveu um texto sobre mim, sobre nossas conversas que foi muito pontual. Me emocionou. Falou das minhas qualidades sem esquecer os meus defeitos. Falou da nossa sincronicidade. Cumplicidade. De nossa vontade de descobrir e redescobrir a vida a cada instante. E o quanto é valiosa essa troca?! O quanto uma ajuda a outra a crescer, a evoluir!

Assim como ela me lê, já li a Cris de diversas formas também. A Cris alegre e falante – tenho quem me acompanhe em minha tagarelice – a Cris triste, a Cris mãe, a Cris mal-humorada, a Cris apaixonada, a Cris sonhadora e tantas Cris que só ela sabe ser. Encanta com seus olhos claros, ar de menina e humor de riso fácil. Porém, existe uma Cris que é o melhor e o pior dela: A Cris de TPM. Essa Cris, meu amigo, é de ler e perder o fôlego. Assusta, mas fascina. Se isola, contudo se expõe como nunca.

Aliás, falando em lê-la bem, lembro que esta semana comentei: “A Cris sumiu do e-mail, do blog. Deve estar de TPM. A dela é pior que minha”. Lembro que assustei quem me ouvia. Parafraseando Se eu fosse você – Eu, de TPM, eu sou o demônio! E se a Cris é pior que eu, imagine só o susto de quem me ouvia e que conhece esse período negro da minha vida... [risos].

Voltando a Cris. Ela é intensa. Muito! E durante o período das três letrinhas que assombram maridos, namorados, colegas de trabalho, padeiro, frentista e quem mais se meter no caminho, ela é intensa ao quadrado. Ao cubo. É capaz de destruir uma cidade inteira com seu humor. E de escrever os textos mais fantásticos, mais profundos de que é capaz. Toda a intensidade desse período difícil se convertem em lindas metáforas de seu blog. Ao contrário de quem convive com ela, nesses dias, nós, leitores de seu blog, amamos!

A minha cumplicidade com a Cris não se explica. Para ela posso dizer que vou largar tudo e ser monja no Tibet, que ela compreende e apóia. Compartilhamos nossas loucuras, nossos sonhos, nossas neuroses, as histórias de nossos maridos – eu não haveria de falar deles, Cris?! – de tudo, de nada... Embora, o NADA para nós duas seja repleto de conteúdo.

Gonzaguinha já cantava que “Toda pessoa sempre é as marcas das lições diárias de outras tantas pessoas”. Eu sou muita grata por ter parte da Cris em mim, na formação de quem eu sou. E fico feliz por ter certeza de ter contribuído na formação da pessoa que ela é.

Comentários

  1. Se eu elogiar, como diz você, estou me elogiando também. Sempre soube que você era muito para mim, mas eu não sabia quanto. Só fui saber disso ontem, pensando no tanto que você me ajuda com suas leituras, seus comentários. E é bom saber que tb sou para você um bocado. Você é, sem dúvida alguma, minha amiga distante mais presente. Me ajuda demais em tantos momentos. Não seria metade do que sou se não tivesse você para "me ouvir".

    PS> Só para vc saber, ia comentar da cartas de Cris Fagá e Glê Moraes. Mas, estou bolando uma coisa aqui. Te conto depois, por email.

    Beijos, minha amiga.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

As crenças limitantes que abraçamos

Cresci ouvindo críticas sobre qualquer atividade, objetivo, sonho que eu me propunha fazer. Desde cozinhar o arroz até a intenção de morar sozinha ou estudar fora, sempre ouvia conselhos desestimulantes ou críticas nada construtivas, lembrando da minha incapacidade de realização - seja do que fosse. E ainda ouço. Levei anos para criar coragem e cozinhar para outras pessoas. E, gente, eu cozinho bem!  Não, este não é um post para falar mal de mãe ou pai. Cada um dá ao mundo aquilo que recebeu e soube transformar ou não. Aos trinta e oito anos, entendo isso com uma clareza! Sinto não ter esta maturidade tão mais cedo. E sou grata aos meus pais por tudo o que puderam fazer por mim. Além de demorar a cozinhar para amigos, demorei a fazer faculdade, não saí de casa até hoje, sempre tive problemas para me relacionar, desenvolvi dois problemas sérios - demorou a entender que eram problemas: compulsão e complexo de inferioridade. Apesar de ter começado a encarar de frente este...

17 de junho: eu vi história

Eu desejei muito estar nas ruas hoje. Desde que vi, pelas redes, o que foi a manifestação de quinta-feira, me programei para levar às ruas a minha insatisfação e a vontade de fazer a mudança acontecer. Mas, o corpo tem seus caprichos e, desde ontem, me deixou na mão.  Contudo, há uma máxima, na qual acredito profundamente, de que todos somos um. Assim, sabia que estaria bem representada nas manifestações de hoje. Acompanhei pelas redes sociais (Facebook, Twitter, Instagram, Tumblr) e fiquei emocionada com o que vi.  Vibrei, em prece (essa sou eu), pelas pessoas que estão nas ruas e pela não violência também - a gente sabe que, infelizmente, ela acontece. E escolhi olhar para a grande maioria de pessoas que protestaram pacificamente.  Deixo aqui registrada minha alegria, emoção e esperança na mudança. Conheço muita gente que trabalha duro para a melhora do país. Hoje, vi muitos destes trabalhadores solitários (verdadeiras formiguinhas), unidos. E foram em ...

Gratidão e boa noite

Não fomos à final da Copa; fizemos um campeonato mediano para desastroso. E daí? Tu olha pro céu e percebe que hoje é uma linda noite para se estar viva. Gratidão e boa noite. P.S. e amanhã tem final, vou assistir e torcer para a seleção do país que me apresentou ao futebol. Sim, rola uma memória afetiva, mas é assunto para outra postagem.  ❥